Sabe quando de repente vários negócios com uma mesma atividade começam a surgir na sua cidade e você pensa “lá vem mais uma modinha”?

Pois é, talvez seja um modismo mesmo, ou talvez seja uma tendência de mercado, mas em vez de ficarmos julgando que tal alinhar o entendimento conceitual a cerca dessas duas palavras?

Afinal, não são sinônimos?

Não!

Não no universo mercadológico.

De acordo com Kotler e Keller, moda é algo que surge e desaparece em um curto período de tempo, não tem relevância política, econômica ou social.

Aliás, aqui vai um exercício de observação: identifique um novo meme nas redes sociais. Você verá que todo mundo vai falar sobre ele durante 1 ou 2 dias e depois vai sumir ou ser substituído por um novo. Comente depois de 2 semanas com um amigo, se ele lembrar do meme, provavelmente a resposta não terá empolgação e você se sentirá intimidado por ter cometido uma “gafe”.

Enquanto uma moda nos anos 90 durava meses ou anos, hoje uma moda pode se esgotar em dias. A instantaneidade da comunicação e a quantidade de informação contribuiu para um processo mais rápido de assimilação e descarte de conteúdo.

Sendo assim, a moda é como um interesse temporário dos consumidores, cuja atenção foi despertada por alguma referência (uma pessoa influente, por exemplo). Logo cairá no desuso, no esquecimento, se tornará brega, cafona e se for um produto poderá ficar encalhado na prateleira.

Está bem claro o que é modismo no mercado? Ok, vamos passar para tendências!

Novamente, utilizando os conhecimentos de Kotler e Keller, na conceituada Bíblia do Marketing: “Tendência é um direcionamento ou uma sequência de eventos com certa força e durabilidade. Mais previsíveis e duradouras, as tendências revelam como será o futuro e oferecem muitas oportunidades”

– Como assim? Não entendi nada.

Vamos lá! Primeiramente, nada tem a ver com um grupo de empresa, mas sim com comportamento dos seres humanos. Como os teóricos dizem, a tendência é duradoura, causa impacto econômico, social e político, e é o ponto de partida para grandes mudanças.

Provavelmente, para uma empresa que foi pioneira em uma tendência, houve investimento em estudos de mercado e vários testes com o perfil de cliente potencial. Se esse não foi o caso de uma empresa que você conhece, temos que aceitar que o empresário foi um gênio dotado de grande visão holística e capacidade de realização (sim, essas pessoas existem, são raras, mas eles mesmos consideram essa atitude um risco e um erro de principiante).

Para que fique mais claro o conceito de tendência é melhor utilizarmos os modelos de negócios como exemplos, afinal eles são produtos das tendências.

Barbearia/Bar, é uma tendência? NÃO, a tendência é a valorização estética por parte dos homens, a metrosexualidade, a aceitação por parte da sociedade que o homem pode ser sim vaidoso.

Food truck, é uma tendência? NÃO, a tendência é a valorização da alimentação móvel, o aumento da alimentação fora do lar, a falta de tempo para fazer as refeições… resumidamente: eu, cliente, quero comprar o lanche e comer enquanto continuo meu trajeto; eu quero comer algo barato e rápido, porque se eu tivesse dinheiro e tempo iria a um restaurante.

Pub, é uma tendência? NÃO!

Essa eu deixo com vocês. Reflitam sobre a origem desse modelo de negócio e a que tendência ele visa satisfazer ou estimular.

O ponto chave desse texto é: Você já havia se questionado sobre o quão perigoso pode ser o investimento em algo apenas porque o modelo está em evidência?

De quantas pessoas você já ouviu a famosa frase “se abriu mais um é porque está dando dinheiro”?

Não se deixe levar pela ansiedade de abrir um negócio próprio, estude o mercado, aprenda a ler as entrelinhas, converse com os possíveis consumidores, peça ajuda aos profissionais, vá para a rua, pergunte!

E para você que se sente incomodado com as várias empresas que surgem oferecendo a mesma coisa, não se sinta assim… eles estão correndo atrás de um sonho, estão colocando a cara à tapa, estão dando oportunidade de trabalho para várias pessoas, estão movimentando o mercado. Haverá um momento em o que esse mesmo mercado, que inicialmente era tão generoso, irá saturar, e nesse ponto é que se separarão os “homens dos meninos”.

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