Ética e Empreendedorismo: será mesmo?

Eis que certa vez, quando eu participava de um treinamento promovido pela Endeavor e o Instituto Kauffman (para quem não conhece, duas das mais respeitadas organizações de fomento ao empreendedorismo em todo o mundo) uma das falas da facilitadora me chamou muito a atenção. Ela dizia: “empreendedores são éticos!”

Automaticamente me vieram à mente casos e mais casos de “empreendedores” envolvidos nos mais diversos tipos de desvios e falcatruas: mensalões (que, para quem não sabe, começou em uma agência de publicidade lá na capital federal), petroleodutos (empreiteiras e mais inúmeros fornecedores da nossa outrora maior e mais respeitada empresa do Brasil – a Petrobras), escândalos em licitações ou ainda, nem indo tão longe, as cotidianas propinas e “jeitinhos” famosos do brasileiro em resolver aquela certidão, aquela fiscalização, aquele adiantamento, etc. O próprio Mario Puzo, autor do famosíssimo romance “o poderoso chefão”, parafraseia Balzac na epígrafe do livro ao dizer que “por trás de toda grande riqueza, há sempre um crime!”…

A questão toda ainda fica mais grave pelo momento político e econômico que o nosso país vive, vulgo “o gigante acordou” – parece que está na moda falar em ética, seja nos facebooks da vida, no happy hour ou nos almoços da família, contudo, a pergunta que quero refletir hoje com vocês é simples e, ao mesmo tempo, visceral: empreendedores são mesmo éticos?

Vamos por partes!

A célebre ética anda de mãos dadas com a igualmente ilustre moral. Ética é uma palavrinha que vem do latim “ethos” e que assume como valor linguístico em nosso bom português o equivalente a “costumes”. Já a menina moral deriva também do latim “moris”, mas pasmem, também significa “costumes”. O desatar do nó nessa questão epistemológica e semântica é que a ética pode ser tida como a escolha pelo bem comum – é universal; enquanto que a moral é local, em um grupo, uma dada sociedade.

Se formos diretamente ao pai dos burros, teremos as seguintes definições:

  1.  Parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social;
  2. Conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

Calma que eu vou explicar melhor!

Na natureza, tudo já possui um jeito predeterminado de acontecer (o cachorro latir, o jambo cair do jambeiro, a lua sobrepor o sol e vice-versa todos os dias, etc.) e, logo, aos seres humanos também não seria diferente: na medida que nos relacionamos em sociedade (grupos, famílias, comunidades, cidades…) nós fomos adquirindo costumes ao longo do tempo e isso varia de local para local e época para época.

No passar do tempo, esses “costumes” tornaram-se a medida do o que é certo ou errado para essa dada sociedade – se é costumeiro, é certo e assim deve ser: isso é a moral! É mais ou menos quando você era acordado pela sua mãe, no tempo em que era criança, para ir à escola todos os dias e ela também dizia “é para o seu bem meu filho”.

Se, porventura, você não fosse à escola todos os dias, estaria indo de encontro a um costume da sociedade em que vive, logo, estando “errado” e indo contra a moral. Outro exemplo: no município de Cametá, no interior do estado do Pará, e também em Madrid, capital da Espanha, o horário de almoço e a famosa “la siesta”, o cochilo depois do almoço, acontece entre 12 e 15h diariamente, e todo o comércio religiosamente fecha as portas. É certo? É errado? São os costumes e a moral local…

Ainda nesse raciocínio, podemos dizer então que a mora é local e a ética é universal. A ética é um olhar crítico sobre essa tal moral que ordena. A ética pensa sobre a ordem. Enquanto a moral tem regras, a ética tem princípios – a justiça, a solidariedade e o respeito. Pensar e agir de forma ética é fazer de tudo em prol de um bem maior, universal, sempre pensando no próximo! Parafraseando Tom Jobim, a ética remete que “é impossível ser feliz sozinho!” – temos que olhar sempre para o bem comum e do próximo. Isso é ser ético!
Quando findando, nesse ponto eu remonto a nossa exclamação principal: empreendedores são éticos!
Como a ética é por definição uma disciplina do campo da filosofia, se passarmos rapidamente de Sócrates, Platão, Aristóteles, Locke, Descartes até chegarmos à Kant, é impossível não citar este último: “ética universal: a igualdade entre as pessoas – o valor profissional deve acompanhar-se de um valor ético para que exista uma integral imagem de qualidade. Quando se tem um padrão ético na prestação de um serviço, automaticamente, o valor deste aumenta”. Mais de 200 anos atrás, ele já percebia que a ética era um elemento diferenciador e agregador de valor no mundo dos negócios…

Culminando, só posso concluir que se empreendedores são aqueles membros da sociedade que fazem, que realizam, que inovam, transformam o problema de alguém em uma solução lucrativa que faz do mundo um lugar melhor – sempre com a crença e a fé inabalável em sua capacidade, seus valores e o compromisso com seus clientes (cada vez mais críticos, exigentes e “esclarecidos”).

Acredito sim que a facilitadora do curso em que participei e citei ao início deste texto estava, enfim, certa: empreendedores são sim éticos – estão sempre preocupados com o bem comum! Ou pelo menos esse é o cenário para o qual estamos caminhando e idealizamos, até que os exemplos empreendedores “não éticos” sejam cada vez mais uma minoria, até o ponto de serem lembranças tristes de um passado distante.

Nós aqui da Vindi estamos fazendo a nossa parte. E você?

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3 thoughts on “Ética e Empreendedorismo: será mesmo?

  1. Oiii, eu tô precisando de dicas pra ganhar dinheiro na internet e sobre empreendedorismo, eu agradeço por você estar compartilhando essas dicas.

    E se você puder me indicar mais conteúdo sobre os assuntos que eu pedi, eu vou ficar muito feliz. beijinhoss 😉

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