Deus Salve o Rei e Estratégia de Marketing

Eis que no início desse primeiro mês de 2018, a poderosa Globo investiu pesado e lançou sua nova novela ambientada na era medieval: Deus Salve o Rei!

 

A nova atração das 19h – horário nobre da emissora e sempre marcado pelas produções com um tom mais para o lado do humor e/ou para a experimentação, embarca em um ensaio repleto de inovações, temas atuais e uma inevitável comparação com séries como “Game of Thrones” e “Vikings” – mas pode ficar tranquilo: a Vindi não virou analista das produções da telinha – hoje vamos fazer um paralelo entre a nova novela e o que ela pode nos ensinar sobre estratégia de marketing, especialmente balizados pelo o que nos ensina Sun Tzu em seu famoso, brilhante e recomendadíssimo livro “A arte da guerra” – o qual apesar de, contam, ter sido escrito lá no ano de 500 a.C. (em tiras de bambu), ainda hoje nos serve de ensinamento paras o que fazer na “guerra do mercado”.  Vamos lá?

O que aprendemos sobre Estratégia de Marketing com Deus Salve o Rei

 

De cara e contextualizando, a trama da novela se passa em dois reinos: Montemor e Artena. Montemor tem muito minério, mas não tem água. Artena tem, mas não tem minério. A permuta entre estes recursos vitais sempre foi justa e equivalente até que começam as “tretas”, como em toda novela… Aí recomendo que você assista e leia os avisos abaixo:

 

Primeiro aviso: temáticas como briga de tronos, amores proibidos, ambições, atos de loucura e outras coisas de praxe nesse tipo de trama não vão aparecer aqui como spoilers ou como fruto da nossa dissertação nesse texto.

 

Segundo aviso: guerra, administração e gestão, sim, vão aparecer! A Arte da Guerra nos oferece lições fundamentais de estratégia, aqui simplificada e entendida como “fazer as coisas corretamente”. Para sermos mais objetivos, aqui fazemos o paralelo com os assuntos “recursos” (sempre limitados), “análise do ambiente” (marketing atuação no mercado, um ambiente incontrolável por definição, então, que tal analisá-lo primeiramente?) e “forças contra fraquezas” (lembrou dos famosos termos “vantagem competitiva” e “diferencial”?).

Sobre recursos: água e minério para ilustrar. Escassez/abundância e vice-versa para cada reino apresentado na trama. Sun Tzu escreveu:

“Um exército composto de cem mil homens só pode ser recrutado quando este dinheiro está disponível”.

É estupidamente comum ouvirmos relatos de empreendedores que reclamam de “tempos difíceis/crise” ou que estão à beira da falência, mas a reclamação é quase sempre a mesma “ficamos sem dinheiro”.

A verdade é que o problema geralmente está na capacidade operacional insuficiente, produtos ou serviços errados para determinado mercado e público, ou em uma infinidade de outros recursos geridos e aplicados de formada inadequada, mas que são fundamentais para tornar uma empresa bem-sucedida. Gerard Michaelson nos diz que:

“Para alcançar o sucesso, você precisa ter superioridade – o problema é que ela é sempre relativa”.

 

A pergunta retórica e chave então é essa: qual é o limite de recursos que podem ser alocados? Se você está realmente determinado a vencer, não há um limite máximo, no entanto, isso não quer dizer que você possa desperdiça-los de forma imprudente.

 

Falando sobre a análise do ambiente, quando a rainha Crisélia morre e nossa querida representante do casal do hexa, Bruna Marquezine (#BruMar), decide na trama botar em prática os seus planos expansionistas e acabar com a paz entre os dois reinos da novela, isso nos brinda o primeiro “P” que todo composto de marketing deveria ser iniciado: Pesquisa.

Sun Tzu nos disse “o soberano que prestar atenção nos meus estratagemas e analisar os lados antagonistas, com certeza vencerá a guerra, e eu, por esse motivo, ficarei ao seu lado”.

São 04 fatores que devem ser analisados segundo ele – já que uma boa avaliação desses elementos é a base para uma operação bem-sucedida. Veja só quais são:

  1. Influência moral, aqui podendo ser entendido como a “missão”, ou seja, a força da crença de lutar por algo e com compromisso;
  2. A temperatura, equiparada às “forças exteriores”, ou seja, fatores econômicos, sociais, culturais, políticos, tecnológicos e vários outros, obviamente, incontroláveis por nós;
  3. O terreno: essa é fácil – o mercado. Assim como o general precisa conhecer o terreno, a estratégia precisa considerar o cenário da ação – pessoas, praça, produto, promoção, preço, etc.;
  4. O comandante, ou no paralelo para o mundo dos negócios, a força e comportamentos do líder/gestor – os nomes mudam ao longo do tempo, mas os princípios da liderança continuam os mesmos (e pauta para um futuro texto…)

Quase finalizando, forças contra fraquezas – sempre! Se Artena e Montemor fossem duas empresas que disputam o mesmo mercado (praça, clientes, produtos similares, etc.), como poderiam usar seus recursos disponíveis e a análise feita um do outro para achar uma estratégia e uma vantagem na competição? Novamente, “tio Sun Tzu”,  nos brinda:

 

“Quando você tiver dez vezes a força do inimigo, cerque-o. Quando tiver cinco vezes a sua força, ataque-o. Se você tiver o dobro da sua força, combata-o. Se estiver em condições iguais, seja capaz de dividi-lo. Se estiver inferiorizado, seja capaz de se defender. E se estiver, de alguma maneira, numa posição desfavorável, seja capaz de evitá-lo.”

 

Parece lógico né, mas na vida real e no mercado é exatamente assim, e até pior: “um pelotão mais fraco acabará se rendendo a um mais forte se simplesmente ficar estático e fizer uma defesa desesperada”.

Repare na frase de alerta e lembre-se: a sugestão é ter sempre mobilidade e flexibilidade, estando pronto para a retirada, quando em desvantagem. Perder a batalha não significa perder a guerra. A questão não é de números brutos; a superioridade pode ser alcançada de várias maneiras nos negócios: elementos de marketing como preço, promoção, produto superior, posicionamento e diversas outras táticas.

É vital para qualquer estratégia de marketing (e de guerra…) bem sucedida, conhecer as virtudes e fraquezas do nosso adversário para que possamos calcular onde o nosso ataque se concentrará. Subestime o oponente e os resultados serão desastrosos. Será que Afonso, Amália, Rodolfo e Augusto (prometemos, sem spoiler) sabem disso? Cenas para os próximos capítulos…

 

E aí, o que achou do nosso artigo? Não se esqueça de usar o campo de comentários abaixo para continuarmos a conversa, beleza?

 

Até a próxima!

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